segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Um conto triste sobre felicidade. Ou, a felicidade que o dinheiro leva.

 


(ESTE É UM RASCUNHO QUE AINDA PODE SER MELHORADO - NÃO SEJA CRÍTICO)

O dinheiro é como álcool. Numa quantidade correta, deixa bem, feliz, leve e solto. Mas exagerar também trás consequências. Dizer que dinheiro não trás felicidade é uma mentira deslavada. Quem diz isso, em geral, tem bastante, ou tem com facilidade, ou não conhece a vida (ou até não sabe bem o que é felicidade). E o dinheiro não apenas trás, como também tira a felicidade. Mesmo um casa que se ama imensamente, que são felizes apenas por estar um ao lado do outro, podem perder a felicidade sem dinheiro.

Imaginemos um casal apaixonado. Casados há alguns anos e sempre felizes um com o outro. Na sua vida tranquila de classe média. Confortáveis. Um carro próprio. Um apartamento sendo quitado. Viajar no final do ano? Talvez Gramado! Mas e Europa? Ah, podemos economizar pra isso! Sim, felizes! Uma vida confortável, no tamanho certo da felicidade. Mas esta felicidade está sendo temperada. Esta felicidade tem uma base que a sustenta. Esta felicidade vê o mundo com outros olhos.

E quando o dinheiro começa a sumir desse tempero, a felicidade começa a achar o gosto muito ruim e resolve sair um pouco daquela mesa. No momento em que ele perde o emprego e a renda passa a vir quase toda do trabalho dela, no momento que ela se sente triste por ver que ele está culpado e preocupado. O dinheiro já tirou um pouco da paz, um pouco da felicidade, e no lugar dela colocou medo, preocupação e novas metas. Eles queriam comprar um apartamento, ela estava planejando ser mãe, os sonhos vão ficar parados por um tempo.

Então ela perde o emprego. E a felicidade é retirada mais uma vez. E agora eles estão quase desesperados. As contas chegam e não saem. A questão não é mais adiar os sonhos, mas viver bem no presente. Ela e ele recorrem aos parentes, passam necessidade. Juntos, consolam um ao outro, mas é impossível manter a paz, a tranquilidade e a felicidade quando não se pode comer bem como antes, quando começam a vender alguns bens para completar as contas, quando a internet vai ser cortada, quando tem que se mudar para um lugar menor. 2 quartos? melhor 1. Precisamos mesmo de uma cama assim? Vamos ficar no colchão por enquanto. TV? Já temos notebook e celular. Sofá? Não faz falta agora. Mas o desemprego continua. Cada um faz bicos como pode. Aceita o que vier. Parece uma vida de muito azar? Imagina saber que, na verdade, é a vida da maioria da população!

E a felicidade? Ah... claro, ela ainda está lá. Eles se amam! E se for mesmo um amor forte e maduro, vão passar por tudo isso. Mas, não vamos mentir. O dinheiro tirou muito da felicidade deles! Ele já não dorme bem como antes, ela adiou o sonho de ser mãe (mas o relógio biológico não espera muito). Ele não consegue mais encontrar os amigos. Ela encontrou um emprego pior, e sem valorização. Eles ainda se amam, mas a felicidade está nublada. Cansada. Ele mal vê ela, além da hora de dormir, onde os dois estão cansados demais pra rir e falar sobre o dia como era antes. Ela pega 2 ônibus para ir e voltar do trabalho, nos horários de pico, em pé.

O dinheiro tirou, sim, muito dessa felicidade. Tirou os sonhos. Tirou os filmes no sofá na TV de cinema que eles compraram assim que casaram porque os dois amam ver filmes juntinhos. E o dinheiro ainda pode tirar mais se quiser. Quanto menos ele estiver, mais espaço ele vai abrir. E o que entra para preencher esse espaço? Vai saber! O medo de nunca poder realizar os sonhos, a inveja dos amigos, a humilhação de ganhar menos, pouco e mal. Talvez até a fome! Não, não é drama. Não é exagero. Não é pessimismo. É a vida. Ela e Ele estão no jornal todos os dias. Ele é motorista de Uber. Ela trabalha numa lanchonete. Ele trabalha 14 horas para tentar quitar as dívidas. Ela deu entrevista no jornal do meio-dia, falando sobre a violência no bairro em que trabalha. 

A felicidade quer uma cama confortável para dormir. A felicidade quer poder acordar e tomar um café da manhã saudável, reforçado. A felicidade quer olhar ao redor da sua sala e sentir conforto, carinho, paz. A felicidade quer ir trabalhar de maneira digna, tranquila. A felicidade quer fazer o que gosta, ou passar dias tentando descobrir o que realmente gosta. A felicidade quer comer bem, se vestir bem, viver bem. 

Se você diz que o dinheiro não trás felicidade, ou você está desvalorizando o dinheiro (e, na minha opinião, sendo hipócrita), ou está desvalorizando a felicidade (que não é tão simples quanto parece).

Sim. A felicidade parece simples. Se encontra em todo lugar. Em todas as pessoas. Em qualquer momento. Mas felicidade, assim como o amor, é como uma pegadinha dos livros de piada. Oque é, o que é? Está em todos os lugares, mas é difícil de ter pra si. E quando você conquista, ela escapa facilmente! Adivinha o que é?

Mas, sobre felicidade em si, a gente fala depois.

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