quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A arte de perder.

Passei 30 minutos tentando gravar um vídeo meu recitando esse poema, mas não deu roque (até deu, mas não ficou muito bom). É um 'projeto pessoal' lesinho que eu inventei, de ler os versos mais bonitos e guardar num arquivo. Um dia, quem sabe, eu tenho coragem de publicar. ^^

De qualquer maneira, vou colá-lo aqui:

de Elizabeth Bishop,

Uma arte

A arte de perder não é nenhum mistério;
tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

— Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.

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